Aprendemos de tudo, menos a nos conhecer

Se eu te perguntasse “quem é você?” o que você responderia?

Normalmente começamos por “Me chamo Vivianni, tenho 29 anos, sou Psicóloga”. Dados muitas vezes automáticos em respostas a perguntas desse gênero. Mas realmente sabemos quem nós somos? Vamos expandir um pouco essa questão.

Quais são seus sonhos? E seus medos? Qual sua maior realização? E seu maior fracasso?

Pois bem, aprendemos de tudo, menos sobre nós mesmos.

Na verdade, não temos muito tempo para isso, sempre estamos atrás de coisas “mais importantes” como estudos, trabalho, dar conta do dia-a-dia. Mas se você parar um momento e pensar além do óbvio, respirar fundo e tentar escutar seus pensamentos, analisar suas emoções, observar seus comportamentos, você poderá se surpreender.

Mas não se engane, não somos os mesmos o tempo todo. Mudamos constantemente. E que bom que somos assim! Imagine se todos sofrermos da “Síndrome de Gabriela” e pensarmos “eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim…” nos fechamos a um modo de funcionamento de nós mesmos que muitas vezes não nos faz bem.

Devemos estar atentos às transformações do mundo, às transformações da sociedade, de nossa cultura e de nosso corpo. Estamos a todo momento em um processo de criação e recriação de nós mesmos. Não somos seres estáticos. Nosso próprio corpo se modifica incessantemente, nossas células nascem e morrem constantemente.

Faça então o exercício: conheça e reconheça suas emoções, seus comportamentos. Fique atento aos seus pensamentos. Pense sobre seu futuro, suas ambições, o que você gostaria de melhorar. E faça disso um exercício.

De que adianta conhecer diversos caminhos do mundo sem conhecer o que te leva até você?

Conversando sobre Saúde

Engana-se que pensa que ter saúde é apenas não estar doente ou praticar exercícios regularmente e ter uma alimentação saudável. A Organização Mundial de Saúde traz o conceito de saúde como um

COMPLETO ESTADO DE BEM-ESTAR FÍSICO, MENTAL E SOCIAL,

e não somente ausência de doenças. Esse conceito pode ser repensado uma vez que um completo estado de bem-estar é decerto uma utopia, ou, como eu prefiro pensar, algo a ser analisado e exercitado todos os dias.

Podemos enxergar o bem-estar físico não pelo modelo de boa forma a ser seguido, dieta da vez, treino da moda, mas por uma visão de completude e de prazer quando lidamos com nosso corpo, com nossa beleza individual. Buscar um bem-estar físico não é ditar normas ou medidas de cintura, quadril, bíceps, etc., mas entender que precisamos de um cuidado, e que cada um, cada corpo dita o que é necessário ou não para sua saúde.

Ao que se refere ao bem-estar mental, temos aí um desafio muito grande, pois precisamos estar conscientes de sua importância em nossas vidas. Muitos interpretam o bem-estar mental pela dicotomia sanidade x loucura, quando, na verdade, saúde mental vai muito além disso. Quantos de nós vivemos ansiosos, estressados, desmotivados? E o quanto esses comportamentos e sentimentos interferem no nosso dia-a-dia, nas nossas relações e no funcionamento do nosso corpo?

E, por fim, a importância do bem-estar social, este ainda pouco compreendido e pouco conhecido por muitos, nos mostra vivemos hoje numa época de fragilidade em nossas relações, sociedades cada vez mais violentas, vínculos afetivos muitas vezes enfraquecidos e inconsistentes, a insegurança do desemprego cada vez mais presente no nosso cotidiano. Portanto, é necessário que exercitemos nossa saúde social, nossa espiritualidade, as relações com nossos familiares, vizinhos, amigos.

Entender que saúde não se atribui apenas à ausência de doenças, mas engloba saúde mental, fisiológica, social, financeira, espiritual, familiar, requer um exercício contínuo de autoanálise, de autoconhecimento.

É necessário entender que não existe um padrão de a ser seguido, uma vez que falar em saúde é falar de complexidade, de individualidade, de comportamentos, necessidades e limites de cada um.

Você, o que pensa sobre isso?